Entendendo o suicídio, uma questão de saúde pública que não pode ser tabu

Entendendo o suicídio, uma questão de saúde pública que não pode ser tabu

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a oitava colocação entre países com maior número de suicídios. Em complemento, o Ministério da Saúde afirma que ao menos uma pessoa tira a própria vida por hora no país, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Entre os homens, é a terceira.

Considerado por especialistas e autoridades como um problema de saúde pública, o suicídio – e suas complexas explicações e facetas – ainda vive atrás de uma imensa parede de tabu e preconceito. Nesse sentido, é necessário trazer esse assunto à tona, começando pela prevenção. Qual a importância do cuidado com a saúde mental para a prevenção do suicídio e o que fazer para identificar e prevenir?   

Segundo o Dr. , médico psiquiatra e coordenador do serviço de psiquiatria do , em Jaboticabal, há alguns fatores que podem facilitar a identificação: “ser do sexo masculino acima dos 50 anos, homens separados ou viúvo, com problemas com álcool e droga e falta de apoio sociofamiliar”, indica o especialista.

O médico reforça que, além desses aspectos, o fator de risco primordial está ligado à existência de um transtorno mental já existente, que pode desencadear um quadro suicida.

“Um dos fatores de risco mais importantes é a presença de um transtorno mental – como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e dependência química e a tentativa anterior de suicídio”, explica.

Dessa forma, de acordo com Araújo Filho, o cuidado é “importantíssimo”, seja reconhecendo precocemente ou em ações preventivas em relação ao comportamento suicida.

“Sabemos que [o suicídio] abrange tanto a ideação, indo para o planejamento, para a tentativa e, enfim, para o suicídio consumado. Segundo a OMS, para cada morte por suicídio, há outras nove tentativas”, completa.

Outros fatores

Por envolver uma questão social, psicológica, circunstancial e, muitas vezes, bastante subjetiva, não há uma regra imutável para prever os riscos de uma crise ou até mesmo para detectar tendências suicidas. No entanto, o Ministério da Saúde traz alguns indícios que podem levar a essa situação.

  • Exposição ao agrotóxico
  • Perda de emprego
  • Crises políticas e econômicas
  • Discriminação por orientação sexual e identidade de gênero
  • Agressões psicológicas e/ou físicas,
  • Sofrimento no trabalho,
  • Diminuição ou ausência de autocuidado
  • Conflitos familiares
  • Perda de um ente querido
  • Doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes

 

Tão difícil quanto identificar possíveis causas que desencadeiem pensamentos suicidas, saber como agir é uma tarefa muitas vezes penosa e que exige tato. Veja as recomendações:

 

  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.

 

  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.

 

  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

 

  • Se a pessoa com quem você está preocupado (a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.

 

  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

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